Relembre a história de Gabrielle Andersen, que chegou “cambaleando” no fim da corrida

Talvez você não se lembra do nome de “Gabriela Andersen-Schiess” ou “Gabrielle Andersen”, como o nome foi descrito nos Jogos Olímpicos de 1984. Porém, você vai se lembrar da cena de uma atleta de maratona que chega ao fim da corrida “cambaleando”. Não é mesmo?

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É essa a história que vamos contar hoje – até mesmo porque pouca gente sabe além do que a imagem mostra. Começaremos pelo princípio e vamos chegar até os dias atuais. Afinal, onde está a Gabrielle hoje? A ideia é mostrar mais do que uma história de superação. Vamos nessa!

Relembre a história de Gabrielle Andersen, que chegou "cambaleando" no fim da corrida
Foto: (reprodução/internet)

Quem é Gabrielle Andersen

Estamos diante de uma maratonista suíça de Zurique. Gabrielle nasceu em 20 de maio de 1945 e hoje tem 76 anos. Apelidada de “Gaby”, ela é conhecida entre os brasileiros como Gabriela, já que o seu nome foi aportuguesado para facilitar a compreensão.

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Foto: (reprodução/internet)

Mas, estamos falando sim da mesma pessoa. A Gaby ficou conhecida durante os Jogos Olímpicos de 1984, que aconteceram em Los Angeles, nos Estados Unidos. Foi nesse ano que aconteceu a primeira maratona feminina da história dos Jogos.

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Naquele ano, Gabrielle trabalhava em Idaho, Estados Unidos, como instrutora de esqui. Porém, foi a representante do seu país de origem, a Suíça, na maratona disputada na edição. Isso porque, naquela época, as mulheres eram proibidas de competir em provas longas.

Como a Gabrielle chegou aos Estados Unidos

Um passo atrás na história, a gente pode ver que a Gabrielle nasceu na capital da Suíça. Porém, emigrou para o solo norte-americano quando tinha 18 anos de idade justamente para se tornar uma professora/instrutora de esqui.

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Foto: (reprodução/internet)

Fez faculdade no Arizona e conhece o norte-americano Dick Andersen. Se casou com ele e ganhou a cidadania norte-americana. No entanto, ela continuava a competir pela Suíça, que lhe dava mais oportunidade nas competições de atletismo.

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Assim, conseguiu ganhar os 3 mil metros no Campeonato Suíça de 1972. E foi a partir dessa vitória que ela começou a pensar em maratonas de rua. Em 1973, também na Suíça, ela fez o seu melhor tempo da vida. Porém, optou por dar um tempo nessa vida de atleta.

O retorno de Gabrielle às pistas

Sentindo falta das competições, ela decidiu voltar a correr e logo na volta venceu duas maratonas, sendo a de Minneapolis-St. Paul e a de Sacramento. Também foi quem bateu o recorde suíço na maratona e nos 10 mil metros.

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Foto: (reprodução/internet)

Logo, foi assim que ela conseguiu a classificação para a primeira maratona feminina dos jogos olímpicos, que viria a acontecer em Los Angeles, no ano de 1984, como já mencionamos aqui.

Agora, apesar da experiência dela em corridas de longa distância, o que aconteceu naquele dia, naquela prova, ficou marcado para a história das Olimpíadas e nós vamos contar um pouco mais sobre como tudo isso aconteceu no próximo tópico.

O que aconteceu na maratona de Los Angeles, 1984

Gaby estava na 20ª posição da maratona, porém, perdeu a última estação de água. O resultado é um tanto quanto “óbvio”. Ela ficou desidratada, a se considerar ainda o sol e o calor que a cidade norte-americana fazia naquele dia.

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Foto: (reprodução/internet)

A desidratação e o calor fizeram com que a atleta ficasse “desorientada”. Isso começou a afetar outras partes do corpo e isso resultou em mais problemas, como as câimbras que aconteciam na perna esquerda.

Com isso, ela levou 7 minutos para conseguir percorrer os últimos 500 metros finais da pista, no Estádio Los Angeles Coliseum. Foi assim, mancando ou “cambaleando” como os jornais descreveram na época, que ela chegou ao fim da corrida.

A ajuda médica

Vale considerar que ela optou por não receber ajuda médica, nem mesmo de enfermeiros, que estavam à beira da pista de corrida. O motivo é que essa ajuda lhe causaria uma desclassificação imediata da competição.

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Foto: (reprodução/internet)

Então, quando cruzou a linha de chegada, ela caiu nos braços de toda a equipe médica e foi aplaudida pelo público, pelos juízes locais, pelos voluntários dos jogos e até mesmo por quem estava assistindo aquela cena, independente do lugar que fosse.

Mais tarde, após a prova, ela deu uma entrevista aos jornalistas e disse que queria terminar o percurso porque aquela poderia ser a única oportunidade olímpica que ela tivesse na carreira, já que estava com 39 anos de idade. Ela ficou em 37º lugar entre 44 corredoras da edição.

O que aconteceu com Gabrielle Andersen em 1984

Hoje, ao lembrar do acontecimento, muita gente se pergunta o que aconteceu com ela após aquela chegada triunfante. Os médicos avaliaram como “quadro grave de hiponatremia”, que nada mais é do que uma queda brutal do sódio no sangue. 

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Foto: (reprodução/internet)

Obviamente, o motivo seria a falta de reposição de isotônicos, aliada ao calor do ambiente. A consequência foi uma alteração cardiovascular, metabólica e cerebral. Por isso, ela chegou ao fim cambaleando, desconexa e praticamente em quadro de “confusão mental”.

Aí vem o próximo ponto: os médicos disseram que acompanharam a volta dela até a chegada sem prestar o atendimento porque verificaram que ela tinha sudorese (suor), o que significava que havia líquido no corpo e, portanto, ela não corria risco de vida.

O amor ao esporte

As cenas fortes da chegada de Gabrielle se tonaram motivação para outros atletas olímpicos e se tornaram provas reais do amor ao esporte que muitos atletas possuem. Hoje, ela e a sua cena é um símbolo olímpico que é usado em diversas campanhas e edições.

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Foto: (reprodução/internet)

Curiosamente, após a chegada final e o atendimento médico, a atleta ficou em repouso e sob observações por duas horas até que foi liberada pela equipe de atendimento.

É ainda mais curioso notar que ela foi aplaudida de pé, ainda que tivesse chegado 24 minutos depois da campeã daquela edição. Isso mostra a força do esporte, que está muito aquém das medalhas ou das vitórias na linha de chegada.

Quem venceu a maratona de Los Angeles, em 1984

E por fins de curiosidade, vale lembrar que quem venceu a maratona feminina de Los Angeles, nesse ano, foi Joan Benoit, apesar de as imagens mais dramáticas e populares serem da suíça que acabamos de mencionar nesse texto.

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Foto: (reprodução/internet)

Joan é considerada, portanto, a primeira campeã olímpica da maratona dos Jogos. Fora isso, ela tem outro ouro, que conseguiu em Caracas, no ano de 1983, durante os jogos Pan-Americanos, mas não na maratona e sim nos 3 mil metros.

Durante a maratona de 1984, ela surpreendeu quando se “livrou” do primeiro pelotão, desde o começo, impondo um ritmo bem forte, que para muitos era “suicídio”, já que o lugar estava muito quente. Mas, ela venceu a prova com um minuto de vantagem da Grete Waitz.

Mais das Olimpíadas de 1984

Além disso, nesse ano, os Estados Unidos foram os que mais venceram, com 83 ouros e um total de 174 medalhas. Depois, veio a Romênia, a Alemanha, a China, a Itália, o Canadá, o Japão, a Nova Zelândia, a Iugoslávia, a Coreia do Sul.

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Foto: (reprodução/internet)

A Suíça, por sua vez, da Gabrielle, ficou na 26ª posição, tendo conquistado 8 medalhas ao todo, sendo 4 de prata e 4 de ouro. Já considerando todas as edições, o atletismo da Suíça já obteve 6 medalhas de prata e 2 bronzes em Olimpíadas.

Agora, para terminar o tópico, a gente não pode deixar de falar que esse ano foi um ano complicado para os Jogos que perdeu nível técnico já que ele aconteceu logo após o boicote de 1980. E, portanto, também foi uma edição boicotada pelo bloco socialista. Logo, entre os países do bloco, apenas Romênia, Benim e Congo entraram na competição.

Caso Parecido: Hyvon Ngetich na Maratona de Austin

Nos Estados Unidos, em Austin, durante mais uma maratona, foi a vez da queniana Ngetich protagonizar uma história parecida com a das Olimpíadas de 1984. A atleta africana percorreu praticamente 50 metros de joelhos. Para alguns, um ato heroico.

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Foto: (reprodução/internet)

No entanto, após o que aconteceu em Los Angeles, os médicos e uma comissão de cuidados começaram a agir em prol de corridas mais saudáveis. Assim, ao invés de heroico, esses atos estão sendo chamados de “desumanos” ou simplesmente “perigosos”. 

Com isso, nasceu uma resolução do COI (Comitê Organizacional Olímpico), que diz que apesar de o objetivo ser o de vencer as provas, é preciso que se preserve a vida dos atletas a qualquer preço – até mesmo impedindo eles de continuar caso se tenha recomendações de sobrevida.

Outros atletas olímpicos para conhecer

Se você gostou da história da Gabrielle, no bom sentido claro, saiba que também pode estudar outros atletas olímpicos que ganharam destaque pelas vistorias ou por marcar um tempo sombrio que os Jogos tiveram, por exemplo, como no caso de Owens.

O primeiro nome a ser estudado é o dele mesmo. Jesse Owens tinha 23 anos quando se tornou um atleta negro a vencer os Jogos em plena Alemanha Nazista. Isso foi em 1936. Em 1960, o etíope Abebe Bikila venceu a maratona com os pés descalços. E em 1968, no México, o maratonista da Tanzânia correu a maior parte do percurso sangrando.